Postagens

Saudades do meu padrinho

Estou assistindo uma serie na TV, que tem tanta gente marron (de marromeno , ou mais ou menos, em baianês).   Gente ruim mesmo! Aí, não sei de onde, me lembrei do meu padrinho. Segue a minha história: Meu pai, rapaz trabalhador, namorando a filha de um rico comerciante e fazendeiro do interior, precisava se prevenir, na hora de pedir permissão ao meu avô para namorar a minha mãe. Procurou um cliente importante dele, outro comerciante de prestigio na cidade, e pediu que ele lhe autorizasse a dar o seu nome como fonte de informações para o velho. Dito e feito:   Meu avô foi conversar com o tal, e as informações foram as melhores possíveis: rapaz sério, respeitador, trabalhador, boa família, dinâmico. Com certeza seria um bom partido. Aí pronto, o velho namorou, casou, tiveram a primeira filha, minha irmã,   e um ano e meio depois, nasci! Em retribuição ao favor que o rico cliente lhe fez, convidou-o para ser meu padrinho de batismo.     “… par...

Enquanto isso, no Cidadelle I

No meio de tantas más notícias, leio, voltando dos Estados Unidos, a compra da Kraft Foods – uma das maiores empresas do mundo – pelo Grupo3G, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira , isto depois de Ambev, Burger King e da Heinz .   E penso. Este é o Brasil que dá certo.!   Lembro do dia do lançamento do Bairro Residencial Cidadelle I , do qual participei como convidado.   Me assustei quando vi a maquete exposta no stand de vendas. Pensei: este Denis é um cara muito ousado! Os três: Denis, André Luiz e Eliana, sócios e diretores do Grupo André Guimarães, responsáveis por este lançamento.   Quando uns se recolhem, tremem, outros seguem em frente, e fazem, acontecem e empreendem.   Tantos eles, os empreendedores, quanto os corretores e clientes que acreditaram no projeto.   Fui convidado para a inauguração do Cidadelle I programada para o dia 24 de abril. Estarei lá. Com certeza.   Imagino a fe...

Num rapa nada

Estou em Jequié, interior da Bahia. Por descuido, a bateria do meu barbeador elétrico descarregou, quando eu tinha feito meia barba, e eu não trouxe a tomada para carregar. Desci assim mesmo, tomei café e fui em busca de um barbeador desses descartáveis. Entrei numa portinha que tinha o nome de supermercado, e perguntei se tinha o tal barbeador, ao supermercadista de plantão. Aliás, o único profissional da empresa. -Tem só esse tipo aí, patrão. Custa um real. Pronto. Eu quero. Aí, um senhor de idade avançada, comenta: -Isso aí num rapa nada. Só faz é relar a cara dos outros, moço! Eu ia perguntar: o que? Mas deixei pra lá. Voltei para o hotel concluir minha barba, com o maior cuidado para “num relar” minha cara! Bom dia a todos! E....Salve a Bahia!!!           Jequié, 14/05/2014       Rubem Passos Segundo rubem@rpassos.com.br rubem@rp2solucoes.com.br www.amanhavaiseroutrodia.blog.br  

Aí é que tá a m......

Marquei para encontrar um corretor numa concessionária de automóveis em Alagoinhas, Bahia. Cheguei na hora marcada, vindo de Salvador, e com a urgência de quem toma remédio para pressão alta, fui direto ao banheiro. Aliviado, o corretor me convida a tomar um cafezinho. (...coisas da Bahia. A casa é dos outros, mas o moço age como “da casa”) A garrafa térmica com o café fica numa mesinha atrás da mesa de trabalho de um vendedor da empresa, que naquele momento está atendendo um casal, prováveis clientes de um determinado modelo de carro. Sem querer, ouço a senhora perguntar: - E se quisermos converter para gás? E o vendedor, finíssimo, responde: - Aí é que tá a merda!!! Saí logo dali com meu cafezinho para não dar um risada, ou um tapa na cabeça do dito cujo. Salve a Bahia!!! Por hoje é só!         Alagoinhas, Ba, maio, 2014           Rubem Passos Segundo rubem@rpassos.com.br rubem@rp2solucoes.com...

TRÊS & UM - Uma tarde com Vinicius

Meu pai (e patrão), jogava duro comigo. De verdade. Hoje já começo a lhe creditar alguma razão. Eu era osso duro de roer, quando criança e adolescente. E como comecei a trabalhar cedo, ele não perdia a oportunidade de me “orientar”. Ao seu modo. De vez em quando, no dia de receber o meu pagamento, recebia uma duplicata de algum cliente. Eu deveria cobra-la e assim, receberia o meu e daria o troco. E assim, numa segunda-feira, recebido o envelope com a minha surpresa, me mandei para a Moenda – restaurante temático de sucesso, especialista em culinária baiana, e shows folclóricos -   na esperança de encontrar o seu proprietário, medico oftalmologista, cantor   e boêmio, gente boa mesmo! Lá chegando,   perguntei a uma das baiana: cadê Ermano? E ela: lá em cima! Quando abri a porta da sala, encontrei Vinicius de Moraes, sem camisa, tocando violão, sentado no chão, Ermano ao lado, na frente dos dois uma garrafa de vinho Rosé D’Anjou, algumas baianas-garçonetes cant...

Rua da Selva, Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, RJ

Nos anos 90,   precisando mudar de endereço no Rio de Janeiro, li um anúncio no jornal, de uma casa na Rua da Selva, final do Alto da Boa Vista, fronteira com a Floresta da Tijuca. Foi a única casa que vi. Fiquei encantado.   A casa tinha piscina, sauna, jardim, enfim, uma delicia. A rua não tinha saída e no seu final, uma belíssima árvore de Pau Brasil! A última mudança na rua,   acontecera há 15 anos! Dia da mudança, um sufoco. Caminhão enorme, carregadores, caixas, um entra e sai danado. Um gentil vizinho da casa em frente, vez por outra, aparecia com uma garrafa de água gelada oferecendo aos carregadores e a nós, seus futuros vizinhos. Final da tarde, exaustos, me dirijo ao sr. João para agradecer e desejar uma boa noite, quando ele me surpreende , pedindo desculpas por ter esquecido de me oferecer seu telefone para o caso de alguma necessidade! Quanta gentileza, naquele homem. Dia seguinte, logo cedo ao acordar, chego à janela do quarto que ficava no prim...

A vez em que o gringo conheceu o que a Bahia tem

Meu pai também era meu patrão. Não me dava mole de jeito algum. Sexta-feira de carnaval, 1970, eu já devidamente planejado, sairia no TOP 69. No escritório, após o almoço, ele sentencia:   Amanhã, eu e sua mãe vamos viajar para passar o carnaval, e você vai ao aeroporto receber um americano, George, auditor da St. Regis Paper. Ele gosta de museus e igrejas, e volta para São Paulo na segunda. Nem preciso dizer que a diretoria recomendou que o tratássemos MUITO BEM, tá compreendendo?   Sim , respondi, P. da vida!   Dia seguinte, estava no aeroporto, esperando o tal gringo. Ele tinha uma cara que lembrava um cão São Bernardo, calçava sandálias tipo franciscanas e trazia nas costas um enorme equipamento fotográfico.   Fomos embora pela orla no meu Fusca 66, verde. E eu, pensando como poderia arranjar uma dor de barriga para me livrar do meu inesperado visitante. Quando fomos chegando na Pituba, propus apresentá-lo ao acarajé. Ele aceitou.   P...