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Fotografando com os olhos, caminhando na orla da Barra

  Buffet livre $25,99! Temos quentinha! Coco 2,50! Acarajé da Roseneide Cadeirante com a camisa do Bahia, morrendo de ir com um amigo. Com certeza, sacanagem pura! Dois rapazes alegres com uma modelo alta e bonita passeando.   Disputando charme. Gordinha baixinha de minissaia preta com bolas vermelhas. Lembrei de bolota, lembram, aquela dos quadrinhos? As “que se acham” passam sérias, trotando, com fone de ouvidos, parecendo cumprir penitencia. As gordurosas fazem poses, tiram fotos, chupam picolés e se lambuzam. São só sorrisos Vendedora de cerveja e água do carrinho de mão de pedreiro. Turista de camisa de linho, chapéu, andando depressa, com as mãos nos ombros de duas mulheres. Nos olhos, puro pavor! Será de assalto ou medo de perde-las para um nativo? “Ô menino!! Esse menino é o capeta! Já quebrou um braço e quer quebrar o outro.” O capeta dever ter 3 anos, corre e sorri para a mãe, vendedora de salgadinhos. Gesso da mão até o antebraço. Puro Azul Restaurante. Mesas cheia...

Voltando a caminhar

A balança avançando perigosamente rumo aos 100 kg. Logo em janeiro! Resolvi com urgência voltar a andar. Iniciando, 30 minutos por dia. Três vezes por semana.   Comecei hoje: do Cristo da Barra em Salvador até o pé da Ladeira da Barra. Cumpri o trajeto em exatos 30 minutos. A coluna, se manifestou usando como porta-voz a minha coxa direita! Tudo bem!   A muito tempo não via a praia da Barra tão cheia. Lotada. Areia cheia de gente, camelôs, sombreiros, cadeiras, etc. O mar também. Lotado de pessoas se refrescando. O sol ainda estava forte, apesar de ser 17 h.   Na calçada e na rua, polícia circulando, inclusive de carros e motos; garis trabalhando; muito, mais muito camelôs mesmo. Baianas de acarajé, isopores de cerveja (“ ISKÓ, gente!!! ). Pipocas, bonés, óculos, camisas, batas, etc. Aparelhos de som no chão, acho que tocando pagode, com uns e outras remexendo as bundas.   Pelo jeitão da turma, me pareceu que a maior parte dos desempregados de Sal...

INICIAÇÃO

Sou de 1948, época em que os valores eram diferentes, e não eram consideradas naturais as variações de gênero ( é assim mesmo que se diz? ) tão normais hoje em dia, assim como comportamentos tipo metrossexuais, ou mesmo, tico-tico no fubá, ou mesmo, os atuais, tipos tipo!   Lá em casa então, para esse tema, meu saudoso pai era quinem , papel de embrulhar prego: grosso mesmo! Homem tem que ser macho e ponto.   Quando eu nasci, minha irmã mais velha aprendendo as primeiras palavras, não conseguindo falar Rubem, falava algo parecido com Guga, e assim, virei Guga para todos. Menos para meu pai. Para ele eu era Sr. Guga!   Acabei me inteirando sobre os assuntos do sexo, do prazer ao conceber, pelas abalizadas aulas dos empregados domésticos da rua, lavadores de carro, etc, e juntando dicas dos colegas na escola.   Era um pouco complicado entender, explicações às vezes tão desencontradas. Mas, fui ouvindo, prestando atenção e arrumando o tema na minha cabeça. A...

Don Juan em Avaré

Em 1980, a Melitta, prestes a inaugurar sua fabrica de café, que viria a ser a pioneira na utilização de vácuo na embalagem dos seus produtos, convoca seus representantes ( ói nóis aqui, traveis ), gerentes e vendedores, para uma visita às novas instalações.   Não lembro exatamente o mês, mas, fazia muito frio.   Para São Paulo veio gente de todo o Brasil, e na hora marcada, embarcamos num ônibus leito, rumo a cidade de Avaré.     Como um homem prevenido vale por dois, levei uma meia garrafa de whisky que tinha, na minha sacola. Vai que o frio aperta, né não?   Muito bem , o ônibus partiu, e até sair dos limites da cidade de São Paulo, a conversa corria à solta. Um monte de vendedores juntos, tem que ter muito papo.   Demorou um pouquinho e o papo foi diminuindo, o sono chegando, e, tão logo o ônibus passou de um pedágio, PÔ !!! Estourou um pneu dianteiro!   O motorista parou no acostamento, descemos todos para ver o que foi, l...

Vendendo óleo de algodão do Ceará

  Lá pelo inicio dos anos 70, eu já um homem feito, de uns 20 e poucos anos, casado e pai de uma menina linda, com o tanque cheio de energia, fui informado que seriamos representantes de um novo produto: Óleo de Algodão,   fabricado em Fortaleza.   Naquela época, não se falava ainda de Soja, e o algodão era uma das alternativas.   Pois bem: acompanhado da informação, recebi de meu pai a determinação de que eu deveria estar em Fortaleza, no dia 02/01, às 08:00h., na fábrica, para uma reunião com o diretor comercial, que me apresentaria o produto e as instruções   para representa-los na Bahia.   Pense bem! Eu doido por festa, já com réveillon programado, que seria emendado com a procissão do Senhor dos Navegantes, e finalizado com banho de mar e moqueca de peixe no Boteco do Tião na Boca do Rio,   já fiquei atordoado!   Mas, tudo bem. Preparei minha maleta no dia 30, e já deixei no carro pronta para o que der e vier, inclusive com a ...

EU, O FUSCA DO MEU PAI E PAPAI DO CÉU

Não adianta. Volta e meia lembro de alguma pisada de bola do meu passado. E, como sempre, o meu pai era ( contra sua vontade ), ativo personagem do ocorrido.   Quando eu falava em dirigir, meu pai, para quem não lembra, jogo duro, dizia: esqueça! Só quando completar 18 anos, e se merecer! !! (aí era covardia; merecer era a parte mais difícil, para não dizer, impossível! ).   Mas, Deus existe, e minha mãe resolveu aprender a dirigir!   O velho havia vendido o seu Chevrolet Bel Air 1956, e com os recursos apurados, comprou dois automóveis (como se dizia à época): um fusca e uma Kombi. Era importante minha mãe aprender a dirigir pois ela poderia ajudá-lo nas entregas de alguns produtos que ele comercializava, além de fazer as compras da casa, etc.   Procurou se informar quem era um bom instrutor, e o contratou; homem sério e competente.   Combinaram tantas aulas por semana, coincidentemente   no turno que eu não estava na escola. Eu tinh...

Saudades do meu padrinho

Estou assistindo uma serie na TV, que tem tanta gente marron (de marromeno , ou mais ou menos, em baianês).   Gente ruim mesmo! Aí, não sei de onde, me lembrei do meu padrinho. Segue a minha história: Meu pai, rapaz trabalhador, namorando a filha de um rico comerciante e fazendeiro do interior, precisava se prevenir, na hora de pedir permissão ao meu avô para namorar a minha mãe. Procurou um cliente importante dele, outro comerciante de prestigio na cidade, e pediu que ele lhe autorizasse a dar o seu nome como fonte de informações para o velho. Dito e feito:   Meu avô foi conversar com o tal, e as informações foram as melhores possíveis: rapaz sério, respeitador, trabalhador, boa família, dinâmico. Com certeza seria um bom partido. Aí pronto, o velho namorou, casou, tiveram a primeira filha, minha irmã,   e um ano e meio depois, nasci! Em retribuição ao favor que o rico cliente lhe fez, convidou-o para ser meu padrinho de batismo.     “… par...